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O Correio Paulistano

O JORNAL

O jornal “Correio Paulistano” foi o primeiro diário de São Paulo e o terceiro do Brasil, e por muito tempo ostentou o título de grande jornal de São Paulo. Criado em 1854 pelo empresário paulista Joaquim Roberto de Azevedo Marques, o jornal desde seu princípio adotou posições modernas e corajosas, como a defesa intransigente da causa republicana e posteriormente o apoio a Semana de Arte Moderna de 1922.

O Correio Paulistano por sua grandeza formou pessoal e tecnologia que permitiram o surgimento de outros jornais tão fundamentais quanto ele, mas não pioneiros, como o Diário Popular, hoje Diário de São Paulo; A Província de São Paulo, atualmente O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo, bem mais recentemente formada a partir da união entre Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite. O mais antigo deles – A Província – só foi lançado vinte e um anos depois do Correio Paulistano.

À época de sua fundação, ele foi o primeiro jornal independente não atrelado a um partido político ou a uma escola literária; o primeiro a ser publicado diariamente em São Paulo e por longo período de tempo; o primeiro a ser impresso em máquina de aço (abandonando o sistema de prelo manual à mão escrava capaz de rodar apenas 25 jornais por hora); o primeiro que montou oficinas a vapor; o primeiro que
saiu às segundas-feiras; o primeiro a ser impresso numa máquina rotativa e o primeiro a sair em grande formato. Foi ainda o primeiro jornal matutino a estampar clichês e a contratar fotógrafos para seu corpo de redação, num momento em que
notícias ilustradas eram privativas dos “vespertinos escandalosos”. Foi o segundo a usar linotipos e o terceiro a completar um centenário em plena circulação no Brasil.

PESQUISA & ESTUDOS

Todo o acervo do jornal Correio Paulistano encontra-se disponível para consulta e pesquisa no Arquivo do Estado de São Paulo.

EDIÇÃO 01

Veja um fac-símile da capa do primeiro número do “Correio Paulistano”, clique na imagem abaixo para visualizar

Correio Paulistano

Contatos: douglas@correiopaulistano.com

O Correio Paulistano

No dia 24 do mez que corre, as portas da cidade se abriram ao Sr. Dr. José Antonio Saraiva, e grande concurso de cidadaos concorreu á recepção da nova entidade em cujas mãos se depositaram os destinos da provincia.

Hoje, nos paços da camara municipal, foi apresentada a carta imperial, e a solemnidade religiosa se fez ouvir, prestando o novo presidente o juramento sagrado.

Saudamos ao Sr. Dr. Saraiva, e de, mimo sincero, lhe desejamos que as amarguras semeadas pela carreira presidencial desta vez não perturbem seu caminho na direcção dos negocios publicos.

Assaz precaria se tem tornado a cadeira presidencial nos ultimos tempos á província de São Paulo, de entro as filhas do estado a mais benevola, cheia de recursos, hospitaleira, tem visto, como que por fatalidade, succederem-se os presidentes com a rapidez do raio.

E os seus interesses, e as variações do systema administrativo, e os caprichos inevitaveis em cada um desses reinados não soffreram quebra como resultado necessario desse preconceito que (…) S. Paulo é o sorvedouro de presidentes ?

E (…) confessemos todos que estas coisas tenham um paradeiro que a nossa terra não ratifique o conceito de indomita e ingovernavel.

Com que meios ? Suffocando as tendencias egoistas do partidario antepondo a utilidade publica ao interesse doméstico, evitando a divergência no proprio credo que se alimenta, coadjuvando o governo, emquanto este nome merecer, para que os negocios publicos que sao nossos negocios, não sejam lançados ao oivido para se considerar essas rixas intestinas que nos dilaceram.

Na presidencia que hoje chegou a seu termo temos o exemplo que cumpre arredar.

Veio um cidadão honesto colloca-se á testa de seus negócios empregos, esforços, que ainda que o quizessemos não poderíamos esquecer. Invidou emfim as suas forças para que a inconveniencia de sua marcha so lhe pude se ser imputada.

Mas veio a estrella negra da eleição; contra ella não ha a lutar.

E esse homem breve vai mar em fora levando de nossa provincia a verdadeira imagem da desorganisação da associação partidária.

Que elementos pois vem encontrar a nova governança ? Um partido desunido, muitos de seus membros feridos pela peleja senatorial, esquecendo o nosso futuro, que risonho pode ser.

E o outro ? Como que morto pelas novas ideas da situação separado da senna publica, soffrerão a deserção da flor de seu exército, não podendo entorpecer qualquer (…) que se venha estabelecer na provincia.

(…)

Prospecto - ANNO 1/N.1

O CORREIO PAULISTANO, que hoje inicia sua carreira jornalística , vem, também, abrir uma nova hera na imprensa desta província.

Então, forçoso é confessá-lo, que a imprensa não tem correspondido por modo satisfatório à sua sublime missão. Os jornaes que tem visto a luz nesta província, quasi exclusivamente ocupados dos interesses de sua panlidade política, e o que é mais, de questões muitas vezes pessoaes, tem transviado a nossa imprensa de seu santo ministerio. Circunscritos a essa discussão acanhada e desagradavel as folhas puramente politicas bem depressa começam por experimentar uma especie de frieza na propria opinião que ellas se propõem sustentar.

Por outro lado, os interesses reaes da provincia, que tanto couvêm promover e advogar, erão postos de parte, porque os interesses de partido tem tudo desnaturado e confundido.

Nestas circumstancias, entendemos  fazer um importante serviço a nossa bella provincia publicando o CORREIO PAULISTANO, cuja missão é a de offerecer uma IMPRENSA LIVRE.

A sociedade, o  governo tem grande interesse no conhecimento da verdade; e nos offerecendo as columnas do CORREIO PAULISTANO á discussãode todas as opiniões, de todos os pleitos, teremos contribuido com o nosso contingente para o conseguimento daquelle grandioso fim.

O CORREIO PAULISTANO, pois, aspira nesta provincia o caracter de publicação imparcial aos leitores (…) linguagem da franqueza e lealdade; só assim teremos imprensa livre, acoberto das considerações que a adulterão Se porém não realizar-mos estas vistas não o será por ausência de exforço.

Cremos  ter explicado o nosso programma.

A redacção só é por tanto moralmente responsavel pelo que for publicado sob o título especial desta folha.